quinta-feira, 7 de março de 2013

Cláudia Abreu, que está na novela "Cheias de Charme", é a estrela da capa no mês das mães

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A vistosa peruca crespa num suspeito tom castanho-claro acaba de ser colocada na cabeça da atriz Cláudia Abreu. Ela se olha no espelho, ajuda a fixar os grampos e, num rompante, explode numa gargalhada. Caracterizada como Chayene, a estrela do eletroforró da novela Cheias de Charme, do horário das 7 da Rede Globo, Cláudia está, de fato, hilariante. Para viver a cantora, além de usar a cabeleira selvagem, a atriz, de 41 anos, esmaltou as unhas de amarelo marca-texto, pintou os lábios de rosa-choque, aplicou sombras verde e dourada nas pálpebras e enfeitou-se com uma tiara carnavalesca – sem falar no vestido pretensamente sensual que ressaltava seu corpo esguio. Subitamente, Cacau – como é conhecida entre os amigos – parece lembrar-se de que é preciso zelar pela imagem de sua heroína. “Olha, esta aqui é a Chayene pobre, dez anos antes da fama. É para uma cena de flashback”, explica, séria, enquanto afasta a franja postiça que lhe cai sobre os olhos.
Se Chayene é dada a excessos, o exato oposto pode ser dito sobre Cláudia Abreu. Delicada na aparência e no comportamento, Cacau é uma mulher de hábitos simples. Embora seja do primeiro time da Rede Globo e permaneça sob os holofotes mesmo quando está fora das novelas, ela tem uma vida pacata ao lado do marido, o cineasta José Henrique Fonseca, e os filhos, Maria, 11, Felipa, 5, José Joaquim, 1, e Pedro Henrique, 6 meses. Certo, no que se refere à maternidade, Cláudia, com seu bando de crianças, é tudo, menos minimalista.
Nascida no Rio de Janeiro em outubro de 1970, Cláudia Abreu estreou na Rede Globo aos 15 anos, no programa especial Teletema. Sua atuação convincente fez com que fosse convidada a integrar o elenco da novela Hipertensão, de Ivani Ribeiro, no ar entre 1986 e 1987. Na sequência, foi ganhando papéis cada vez mais importantes. Em 1992, virou a musa do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello ao interpretar a militante Heloísa na série Anos Rebeldes. Em 2003, na novela Celebridade, provou que a carinha de boa moça não era empecilho para que se apresentasse como uma vilã, Laura. Cláudia também teve papéis de destaque no teatro e no cinema, como a obstinada Rose de O Caminho das Nuvens, de 2003. Entre um trabalho e outro, cursou a faculdade de filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Rio – quando fez vestibular, estava grávida da primeira filha. Atualmente, ao lado do marido, comanda uma produtora de cinema, a Goritzia, que lançou recentemente o filme Heleno, com Rodrigo Santoro no papel principal. Cláudia Abreu está em um momento delicado – a volta ao trabalho após o fim da licença-maternidade. “Não é fácil sair de casa sabendo que, quando voltar, as crianças já vão estar dormindo”, afirma. Ela estava afastada da televisão desde 2009, ano em que participou da novela Três Irmãs, de Antônio Calmon, e resolveu retornar à labuta porque se apaixonou pela exuberância de Chayene. Como é do elenco fixo da Rede Globo, a moça recebe salário, ainda que não esteja no ar – e esse privilégio reservado às estrelas deu a ela a tranquilidade para se dedicar à prole até que se sentisse apta a subir de novo no palco. Literalmente. Em um show do cantor sertanejo Michel Teló, sem que a plateia fosse avisada, Cláudia Abreu roubou a cena na pele de Chayene. O público não sabia, mas aquela era uma gravação de um capítulo da novela. Teló fez tudo direitinho. Apresentou-a como a nova rainha do eletroforró e deu-lhe o microfone. Cláudia cantou, requebrou e voltou para o camarim como se fosse a própria diva do brega. Talento para a música? “Ah, que nada. É muita cara de pau mesmo”, afirma, às gargalhadas.
Pelo visto, você está se divertindo muito com a Chayene. Você tem um pé no brega para se sentir assim tão à vontade?
Quando você é atriz, tem que estar aberta e prestar atenção em tudo. O bom da minha profissão é poder entender, sem julgar, um universo totalmente diferente do seu. E eu sempre me interessei muito pelo mundo brega. Acho engraçado, gosto da falta de pudor de se entregar ao sofrimento rasgado. E agora, por causa da novela, para ajudar nessa imersão musical, tenho escutado bastante Gaby Amarantos, Michel Teló, Calypso, Calcinha Preta e também Aviões do Forró.

 
Muita gente tem vergonha de assumir que gosta da estética brega. Você não é intimidada pela patrulha da sofisticação?
Acho isso uma besteira. Ninguém deve nada a ninguém para ficar ameaçado com patrulha. Em karaokê, eu sempre cantei É o Amor, do Zezé Di Camargo e Luciano.

Você parece aquela moça sobre quem as mães falam para as filhas: “Seja amiga da Cláudia, ela é uma boa menina”. Você corresponde a essa imagem da perfeitinha?
Ah, não, embora em alguns momentos eu tenha caído nessa cilada do perfeccionismo. No trabalho, já me cobrei demais. Em televisão, temos muitas cenas para gravar e há quase sempre o ranço de que poderia ter sido de melhor qualidade. Mas o amadurecimento nos faz ter a percepção de que não vamos ser perfeitas, mas, sim, fazer o nosso melhor. Como mãe, eu também tento ser a melhor possível, mas não quero ser a mulher ideal. As crianças devem ficar irritadas com uma mãe perfeitinha! (Risos.) Até para que os filhos sejam saudáveis, é importante que vejam defeitos nos próprios pais.

Algumas mulheres deixam de avançar na carreira porque não conseguem conciliar o trabalho com a maternidade. No entanto, você tem quatro filhos e sua carreira vai muito bem. Qual é o segredo?
A Chayene me deu muita força para voltar. Quando você trabalha com prazer, tudo é mais fácil. Eu tenho quatro filhos, sendo dois bebês. Se trabalhar fosse uma obrigação, seria bastante difícil. Eu não durmo à noite, fico cansada. É realmente duro. Mas é preciso entender que a sua individualidade e o seu trabalho são importantes. Deve-se ter bom senso para não se anular por causa dos filhos, porque eles vão crescer, vão cuidar da vida deles, e é bom que tenham mães saudáveis. Se a mulher vive em função dos filhos, de alguma maneira vai cobrar isso deles depois. É necessário que ela tenha vida própria para não querer absorver os filhos para além do que eles precisam.

Como você se desdobra para dar conta de tudo?
Eu passo pelas mesmas dificuldades de todas as mulheres. Fico angustiada quando não posso ir à reunião da escola ou em alguma apresentação. Mas faço a maior ginástica para conseguir estar presente e administrar o tempo. Tento dar mamadeira, buscar na escola, dar banho, tudo o que consigo.

De tanto ouvir perguntas sobre ter passado dos 40 anos, você está começando a se preocupar com isso?
Não, porque até agora tenho me sentido bem com a idade. Eu quis focar no que a vida me trouxe, não no que a vida está me tirando – a juventude. Não se pode ter tudo, né? Você acumula perdas e ganhos. De 40 para 41 anos, nasceu meu quarto filho. Eu tenho uma carreira bacana e um casamento que é importante para mim. E acho que os 40 anos são, de fato, o ápice. Você ainda concentra juventude e disposição, já construiu muitas coisas e não tem aquela ansiedade típica dos 20. Eu também tento relativizar – é muito melhor ter 40 do que ter 60 ou 80. Olhando de lá para cá, estou no lucro (risos).

Como você se sente com a sua aparência?
Sem mentira, hoje me acho mais bonita do que quando eu tinha 20 anos. Embora eu veja uma ruguinha aqui e um pneuzinho ali, não tenho mais bochechas e sinto que o meu corpo tem formas mais definidas. Agora sou mais simétrica. A maturidade é um bem-estar. Ela nos dá uma contemplação e uma serenidade que a juventude não permite. A juventude traz aflição.

Muitas mulheres fazem uma série de intervenções no rosto e no corpo em busca da juventude eterna. Você não faz parte desse time?
Graças a Deus, a minha vaidade não me enlouquece. Ela existe, é óbvio! Sou atriz, quero ter uma boa aparência, e às vezes é difícil você ver que o tempo traz mudanças. Mas prefiro que falem da minha ruga do que do meu Botox, sabe? Quero ser uma mulher de verdade, com a minha idade. Eu me cuido, mas o cuidado não pode descaracterizar minha fisionomia, muito embora eu não esteja julgando as mulheres que fazem milhões de retoques. Porque mexer também é uma decisão difícil.

A atriz Cate Blanchett apareceu com todas as suas ruguinhas na capa da revista americana Intelligent Life e foi muito elogiada por isso. Será que estamos vivendo uma mudança no padrão de beleza? Em vez das mulheres saradas, o bonito agora são as mulheres reais?
Talvez seja o fim do ciclo da neurose coletiva em busca da juventude eterna, da histeria da malhação e da onda de paralisar o rosto para reter o tempo. Hoje em dia, inclusive, tem uma história de que, em Hollywood, há dificuldades para escalar mulheres que mexeram muito no rosto. Porque elas ficaram sem idade. Não são jovens e também não são velhas. Mas eu não sou contra fazer retoques se isso traz um alívio. Só acho que é preciso manter o bom senso.

Como você se vacina contra a frivolidade, tão comum no universo das celebridades?
Procuro ter uma vida normal. Não acredito no sucesso momentâneo porque sei que nada é para sempre. Cada trabalho é um recomeço e estou sujeita a erros e acertos. Vivo do presente e mantenho o pé no chão. A frivolidade só nos faz perder tempo. Tenho meus momentos frívolos quando estou com meus amigos jogando conversa fora e falando besteiras. Mas isso não pode ser o conteúdo de uma vida.

Você já teve um momento deslumbratex: “Eu posso tudo, eu sou a tal”?
Não me lembro de ter me levado tão a sério.

Como você lida com os colegas que se levam a sério?
Se a pessoa é feliz sendo frívola e acreditando no próprio sucesso, ótimo! Não quero me sentir melhor do que os outros porque penso diferente ou me comporto de outra forma. Se for uma pessoa legal, vou conviver com ela da maneira mais adequada possível, respeitando as diferenças.

Com quatro filhos do mesmo marido, você não se sente um ET?
Eu me sinto uma mulher à moda antiga, uma mulher clássica! Os quatro filhos foram acontecendo naturalmente e sou muito feliz com isso, porque realmente tem a ver comigo. O fato de eles serem do mesmo pai facilita as coisas. É bacana porque percebo que foi um encontro profundo, que continua valendo a pena. Mas não dá para achar que é fato e acabou. O casamento é uma conquista diária e a saúde da família também. É preciso ter paciência para investir nisso. Hoje em dia um casamento assim não é muito comum, mas é possível. Só que não é de mão beijada. Nada é tão fácil quanto parece.

“Tenho cumplicidade com cada um”
Mãe de duas meninas e dois meninos (na verdade, dois bebês), Cláudia Abreu tem um desafio para além da tradicional dificuldade em conciliar trabalho e maternidade. Para ela, é preciso estar atenta à individualidade de cada criança e fazer programas diferentes com eles, de acordo com a idade e o sexo. “Tento não andar só em bando”, conta. Com Maria e Felipa, as meninas mais velhas, Cláudia Abreu gosta de brincar de “spa da mamãe”. É um evento simples e doméstico. Em dias de spa, as três se jogam na banheira para um demorado banho de espuma, seguido por uma sessão de massagem com hidratantes e luz de velas. Já os bebês curtem apreciar os voos de asa-delta na praia de São Conrado, no Rio de Janeiro, onde mora a família. A atriz também faz questão de estar presente com os caçulinhas na hora do banho, da troca de fraldas e da mamadeira. “Dentro do possível, tento dar o melhor de mim para cada criança. Não dá para perder a qualidade com cada um que nasce porque tenho menos tempo”, afirma Cacau

Fonte: Claudia


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